A tabela do jogo do bicho é o documento mais estável da cultura popular brasileira: 25 grupos, 25 animais, 100 dezenas — e nem uma vírgula alterada desde 1892. Constituições mudaram, moedas nasceram e morreram, o país trocou de regime três vezes; a tabela continuou exatamente onde estava, decorada por gerações como quem decora o alfabeto. Abaixo está a versão completa e com filtro instantâneo: digite o nome de um bicho ou uma dezena e a lista se ajusta na hora.
| Grupo | Bicho | Dezenas | |
|---|---|---|---|
| 🪶 | 01 | Avestruz | 01020304 |
| 🦅 | 02 | Águia | 05060708 |
| 🫏 | 03 | Burro | 09101112 |
| 🦋 | 04 | Borboleta | 13141516 |
| 🐕 | 05 | Cachorro | 17181920 |
| 🐐 | 06 | Cabra | 21222324 |
| 🐏 | 07 | Carneiro | 25262728 |
| 🐫 | 08 | Camelo | 29303132 |
| 🐍 | 09 | Cobra | 33343536 |
| 🐇 | 10 | Coelho | 37383940 |
| 🐎 | 11 | Cavalo | 41424344 |
| 🐘 | 12 | Elefante | 45464748 |
| 🐓 | 13 | Galo | 49505152 |
| 🐈 | 14 | Gato | 53545556 |
| 🐊 | 15 | Jacaré | 57585960 |
| 🦁 | 16 | Leão | 61626364 |
| 🐒 | 17 | Macaco | 65666768 |
| 🐖 | 18 | Porco | 69707172 |
| 🦚 | 19 | Pavão | 73747576 |
| 🦃 | 20 | Peru | 77787980 |
| 🐂 | 21 | Touro | 81828384 |
| 🐅 | 22 | Tigre | 85868788 |
| 🐻 | 23 | Urso | 89909192 |
| 🦌 | 24 | Veado | 93949596 |
| 🐄 | 25 | Vaca | 97989900 |
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Como ler a tabela em três regras
Regra 1 — a dezena decide tudo. O bicho de qualquer número do mundo é definido pelos seus dois últimos algarismos. O tamanho não importa: o telefone de onze dígitos, a placa de sete, a milhar de quatro e o número da casa de dois obedecem à mesma lei. Um número termina em 54? É gato, e ponto final — os algarismos anteriores só interessam a quem apostou em centena ou milhar.
Regra 2 — cada grupo tem quatro dezenas consecutivas. A conta de cabeça é imediata: divida a dezena por quatro e arredonde para cima. A dezena 54 dividida por quatro dá 13,5, que arredonda para 14 — grupo 14, gato. A dezena 08 dá exatamente 2 — águia. A dezena 09 dá 2,25, arredonda para 3 — burro. Funciona para as cem dezenas sem exceção.
Regra 3 — o 00 vale cem. A dezena 00 é lida como a centésima dezena da tabela, e cem dividido por quatro dá exatamente 25: a virada pertence à vaca, última do baralho, e não ao avestruz, primeiro. É a pegadinha clássica que separa o apostador criado na tabela do recém-chegado — e a pergunta que mais derruba iniciante em roda de palpite.
Três exemplos resolvidos
Exemplo 1 — o milhar 4.725. Dois últimos algarismos: 25. Vinte e cinco sobre quatro dá 6,25, arredonda para 7 — deu carneiro. Quem jogou no grupo 7 ganhou; quem jogou na dezena 25, também; quem tinha a centena 725 ou a milhar 4725, idem, cada um com seu multiplicador.
Exemplo 2 — a placa que termina em 13. Treze sobre quatro dá 3,25, arredonda para 4 — borboleta. Repare que a dezena 13, célebre pela fama do número, não pertence a nenhum bicho de má fama: caiu no grupo mais leve da tabela, e a tradição adora a ironia.
Exemplo 3 — o número 8.100. Termina em 00, que vale cem: grupo 25, vaca. É o exemplo que resume a regra 3 — e o motivo pelo qual, desde 1892, apostador desatento chora a virada.
A tabela, coluna a coluna
A coluna grupo traz a posição do bicho, de 01 a 25 — é ela que se usa nas apostas de grupo, duque e terno. A coluna bicho traz o animal que dá nome ao grupo e leva à página completa de cada um, com sonhos, variações, números e crendices. A coluna dezenas traz as quatro dezenas do grupo, em sequência: é ali que qualquer número do cotidiano se converte em palpite. A ordem dos animais não é alfabética nem zoológica — é a ordem histórica das cartelas originais do Jardim Zoológico, cristalizada pelo uso e jamais reformada.
Curiosidades que a tabela esconde
A tabela tem suas assinaturas internas, queridas dos apostadores antigos. As dezenas dobradas — 11, 22, 33, 44, 55, 66, 77, 88, 99 e a virada 00 — se distribuem uma por grupo em nove bichos diferentes e concentram devoções próprias: a 33 da cobra pela idade de Cristo, a 77 do peru pelo fim de ano, a 55 do gato pelos sete fôlegos. Os bichos exóticos — avestruz, camelo, elefante, tigre, urso — denunciam a origem de vitrine de zoológico: metade da tabela o brasileiro de 1892 só conhecia de gravura. E a vaca no fecho, dona do 00, deu à tabela sua única volta completa: depois dela, a contagem recomeça no avestruz, e a roda diz que é por isso que o jogo nunca acaba.
Os grupos em blocos: como a roda enxerga a tabela
Decorar 25 bichos parece façanha, mas a freguesia nunca decorou lista — decorou vizinhanças. O primeiro bloco é o dos bichos de casa: cachorro, gato, galo, porco, cabra, vaca — os que o apostador via no quintal e que por isso dominam os sonhos e o movimento. O segundo é o dos bichos de gravura, herança direta da vitrine do zoológico: avestruz, camelo, elefante, tigre, urso e leão, os exóticos que deram ao jogo seu ar de espetáculo. Entre eles circulam os bichos de mato e estrada — cobra, jacaré, veado, macaco, coelho, cavalo, burro, touro, carneiro — e o trio alado da borboleta, águia e pavão, com o peru fechando o bloco das aves como o bicho do calendário. A roda ainda reconhece um bloco transversal, o dos bichos de data: coelho na Páscoa, peru e porco em dezembro, gato na sexta-feira 13, leão na temporada do imposto — o calendário afetivo que faz a tabela girar o ano inteiro.
A tabela como código cultural
Mais que instrumento de aposta, a tabela virou um código de leitura do mundo: no Brasil, qualquer número de dois algarismos carrega um bicho nas costas, e milhões de pessoas fazem a conversão sem pensar — na placa do carro, no número da casa, na idade, no troco. É um caso raríssimo de tabela mnemônica centenária transmitida sem escola, sem Estado e sem reforma, de avô para neto, no balcão e na conversa. Entender a tabela é, no fundo, alfabetizar-se numa segunda numeração brasileira — a que corre por baixo da oficial.
Perguntas frequentes sobre a tabela
- A tabela é a mesma no Brasil inteiro?
- Sim — os 25 grupos, seus bichos e suas dezenas são idênticos em todas as praças, do Rio ao interior. O que varia entre regiões são horários, apelidos e multiplicadores, nunca a tabela: ela é o padrão nacional de fato do jogo.
- Por que são 25 bichos, e não 30 ou 20?
- Porque 25 grupos de 4 dezenas fecham exatamente as 100 dezenas possíveis (01 a 00). A aritmética é perfeita: nem sobra, nem falta — e foi essa elegância que permitiu à tabela atravessar mais de um século sem reforma.
- De quem é a dezena 00?
- Da vaca, grupo 25. O 00 vale como 100, centésima dezena da tabela — quarta e última da vaca. A confusão com o avestruz é o erro de iniciante mais clássico do jogo.
- Existe bicho com mais dezenas que outro?
- Não: quatro para cada um, sem exceção ou privilégio. Toda fama de bicho que paga mais é folclore de roda — a estrutura matemática dos grupos é rigorosamente simétrica.
- Como uso a tabela para conferir um resultado?
- Pegue o número sorteado, olhe os dois últimos algarismos e localize a dezena na tabela — ou use o consultor automático da página principal do jogo do bicho, que faz a conversão na hora e mostra o grupo, o bicho e as dezenas vizinhas.
Cada animal da tabela tem página própria com o significado dos sonhos e suas variações, os números associados e as crendices — os links estão na coluna do bicho, logo acima. O funcionamento das apostas sobre esses grupos, modalidade por modalidade, está no guia como funciona o jogo do bicho; os multiplicadores, em quanto paga.
Nota: conteúdo de caráter cultural e informativo. O jogo do bicho é contravenção penal no Brasil (art. 58 do Decreto-Lei 3.688/1941); não incentivamos a participação em jogos ilegais.